Dois degraus

Eu estou aqui em baixo

Você está ai em cima

Mas nem se preocupa

Em abaixar a cabeça

Olhar pra baixo e me ver

E quando abaixa

Não vê além de seus pés

Talvez seja por isso

Que você não entende o que eu digo

Não saiba o que eu passo

Não sinta o que eu sinto

Achei o rascunho deste poema num caderninho velho aqui em casa. Lembro mais ou menos quando escrevi, faz muuito tempo. Tinha uns 15/16 anos.

Foi porque estava conversando com umas pessoas bem ricas que ficavam debochando da gente que não tinha muito dinheiro pra comprar as coisas.

Relendo-o me fez lembrar outros episódios. Bem recentes inclusive. Pessoas que não conseguem olhar e ver nada além de seu próprio nariz. Gostam de pisar nos outros, se acham melhores.

Enfim, hoje eu com 28 anos me sinto madura o suficiente para saber dar uma banana pra esse povo e viver minha vida. Não devo nada a ninguém e sinceramente, ninguém sabe dos meus sonhos e anseios. Não quero terminar minha vida igual a esse povo, se matando de trabalhar pra encher o bolso e não ter tempo de gastar.

 

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4 Comment

  1. Ahhh, nem fale, também já passei por isso. E esse seu texto ficou o máximo! Parabéns!

  2. Um poema que se encaixa em várias situações e, por isso, totalmente atemporal 🙂

    1. Verdade, atemporal. Infelizmente 🙁

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